terça-feira, 5 de julho de 2011

(in)diferenças




Há dias em que agradeço tamanha ajuda por ter chegado até à vida, ou por a vida, ter chegado até a mim... Já lá vai o tempo em que as boas características de finas lembranças perdidas na mente, eram suficientes para sorrir. Rir é diferente de sorrir. Por várias razões... Sorrir implica que haja um contrato entre o lábio inferior e o lábio superior, de uma forma inconsciente, de modo a coincidirem as duas vontades. Sorrir, também implica que os olhos sorriam em silêncio, e digam tudo, sorrir, não só implica naturalidade como espontaneidade. Rir é um acto que exige complacência, exige um vocal que por vezes é forçado só para se fazer ouvir. Também exige os sinais vitais da espontaneidade (creio que seja distinta).


O que segue as regras da lógicas, infelizmente é alheio aos comportamentos humanos de hoje em dia. O importante seria que não houvesse o preconceito de um sorriso de pele escura, ou de uns olhos em bico, ou de uma perna singular. É injusto para com a própria humanidade que haja essas rivalidades com as diferentes cores, ou com os diferentes estatutos sociais, ou o estado como nos encontramos com e face à vida. É verdade que ao traçar as minhas opiniões relativamente às “diferenças”, acabo por cair no longo erro de diferenciar o que anda de carro, ou o que anda a pé. Mas não se trata de uma diferença de valores ou importância perante a vida, trata-se de uma diferença visível aos meus olhos: um possui uma máquina que o transporta de um lado para o outro (e que se calhar não come para tê-la, e manter a concludente aparência), e o outro, move-se através de uma parte da máquina humana. Os pés, que balançam tal o estado da alma. A alma, também é comum a qualquer pessoa, também distrai os mais durões e fere os mais sensíveis, também choca os mais estouvados e mata aqueles que não acreditam nela. Raça. Essa, há só uma também. Chega a ser inconveniente e deprimente, mas vista de outro prisma, é sobranceria, altiva e invicta.


Sempre que saio à rua deparo-me com situações opulentas, situações de fraca aparência, situações paradoxais, e situações provavelmente normais para aqueles que aceitam a derrota. Situações que me sufocam, e situações que me tolhem a respiração e me vedam a compreensão. É importante que saibamos afagar um cabelo oriundo de uma emigração violenta e forçada, como de emigrações e imigrações feitas consuante as vontades de cada um. Não há maior privilégio que saber humanar aquele que desumana…esta atitude é uma das tantas que nos pode fazer sentir lisonjeados por as podermos possuir, esta atitude, encaixa-se no estereótipo de uma pessoa completa e que pretende não so sobreviver, como viver, em sociedade. A sociedade e o Estado somos todos nós. Nós também somos o Estado, nós também somos a sociedade que se revolta com o Estado. E porquê? Somos nós que “os” colocamos no sítio onde exercem mal as suas funções. Creio que o Estado é um termo denotativo para a maior parte das pessoas. E como falo nele, falo, por exemplo, no pensamento das pessoas que descartam as suas funções como cidadãs para os que têm mais poder. É necessário que o poder seja intermédio, seja dividido e utilizado de uma forma responsável e igual.


Os narcóticos são armas usadas para esquecer o tempo, e o tempo, tem-se esquecido de nós.