quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

life is real


A vida nasce de outra vida, que nasce de outra vida, que por sua vez nasceu de uma outra vida. Até aqui não tenho alguma dúvida capaz de me projectar para questões intrincadas, contudo, isto é um dos milhões de factos que podemos encontrar aliados à nossa existência. Eu tenho dúvidas. Tenho dúvidas acerca de quase tudo. Acerca de porque é que quando eu choro as minhas lágrimas são salgadas, ou o porquê de quando olho para um objecto chamado espelho, o mesmo me reflectir por inteiro, (até os mais pequenos pormenores estão sobre aquela base cujo padrão depende do que é capaz de captar), ou o porquê de ter que chamar mãe a uma pessoa que contribuiu para a minha existência. E porque não chamá-la de porta? Ou em vez de porta, quadro? Não sei… Não me lembro do dia em que nasci, mas gostava. Talvez nem chamasse de mãe à minha mãe, nem hoje achava que dias lindos são aqueles preenchidos pelo sol. Podia achar confortável e estonteante uma paisagem que hoje nem sequer deve existir… O tempo é soberbo, grandioso, altivo, majestoso, é sublime e sempre que vejo alguém desperdiçar o tempo fico incomodada. Jamais na vida (se é que existente), serei capaz de o fazer. Eu não perco tempo, e muitas vezes peço-lhe para ele não se perder de mim. Já tirei o relógio por pensar que o tempo estava a ser infausto para comigo. Pela falta de tempo, eu perdi pessoas que julguei imortais, perdi olhares, cheiros, perdi palavras, perdi gestos, também perdi memórias, mas sobretudo, perdi-me a mim mesma, e quando caio nessa realidade melancólica perco-me ainda mais… Depois? Depois arrependo-me e corro para encontrar o relógio. E é aí que percebo que o verbo ser é exigente e que por vezes há situações que nos submetem a actos dolorosos, actos pungentes e inexplicáveis. É urgente fazer uma clivagem entre o viver e o saber viver. Eu ainda não sei viver, mas tento aprender todos os dias em prol disso, para que quando, por caminhos obscuros e humildes, chegar o meu último acto de aspiração e expiração conseguir resistir à célebre frase: “ não soube viver”. Não vou contribuir para essa percentagem, não vou como cidadã, mas acima de tudo, não vou como pessoa.

Depois de tudo isto, lembro-me de um sentimento, que é susposto ser um dos sustentos da humanidade:o amor. É? Eu acho que não é. Se a humanidade se resumisse a mim e à pessoa por quem me sinto lisonjeada de ter na minha vida, acredito que sim, de outro jeito não. Em vários momentos, sinto que só existo eu e ele, e quando sinto que isso acontece é-me dada uma nova gestação, e um novo nascimento. Nasço e renasço três ou quatro vezes por dia, e como um dia tudo morre, eu não quero acabar com este ciclo. Não tem oportunidade de ser vicioso, nem de ser rotineiro, é como tem que ser. Natural, mas o que me importa, de facto, é que existe. A luta é necessária em todos os casos, tenhamos nós más ou boas condições psicológicas, nunca nos podemos privar de lutar, e eu luto. Luto não só por nós, como por mim.

Eu nem sei o que sinto por ti. É um sentimento soberbo, autêntico e mais puro que excessivo, é natural e volúvel. Não tem limites, e nem sequer sabe o que isso é. Amo-te